A gaveta é aberta sem motivo claro. Entre papéis antigos, recibos dobrados e objetos esquecidos, aparece uma fotografia que a pessoa não esperava encontrar. O rosto ali sorri, mas a lembrança não vem leve. Junto com ela chegam uma frase não dita, uma mágoa guardada, uma antiga necessidade de aprovação, um jeito de se defender que continua vivo mesmo depois de tantos anos. A fé, às vezes, começa assim: não como subida para longe da vida, mas como descida honesta ao que carregamos por dentro. A vida interior cristã não é um refúgio bonito onde a alma se sente sempre em paz. É também o lugar onde Deus ilumina cantos que aprendemos a manter na penumbra. Pensamentos que não confessamos. Desejos que disfarçamos. Feridas que tratamos como personalidade. Vaidades que chamamos de zelo. Intenções que ajustamos, por dentro, até parecerem mais nobres do que realmente são. Nem tudo em nós é claro para nós. Uma pessoa pode fazer o bem querendo ser vista. Pode aconselhar alguém querendo se sentir sup...